FLERTANDO COM O RISCO - Qual o ponto de equilibrio entre a aventura da viagem e o perigo de imprevisto?
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Seguro viagem é indispensável? Claro que imprevistos acontecem, ou então não se chamariam imprevistos. No entanto, entre o que dita o bom senso e a realidade há um abismo. Quando se trata de seguro, o brasileiro só investe mesmo no de seu carro.

Só que em viagens, dentro ou fora do Brasil, os problemas podem aparecer sem aviso prévio, alguns sérios. Longe de tudo e todos, da perda do voo ou extravio de mala a problemas de saúde, as crises podem cair de paraquedas, onde e quando menos se espera.

Mas, falando francamente, se levarmos em conta os perigos da vida, ninguém mais sai de casa. Por isto, que nos perdoem os corretores, o ideal é avaliar cada viagem e concluir se vale mesmo a pena gastar dinheiro com seguro. Por exemplo, soa como exagerado emitir uma apólice para a rotineira ponte aérea Rio – São Paulo. Além disso, a maioria das companhias aéreas, assim como hotéis, oferecem modalidades de compras com direito a cancelamentos.

TIRO NO PÉ – Não adianta ter seguro se o viajante busca problemas ou corre riscos sem necessidade.
SEGUROS DIFERENTES

Uma dica: não confunda seguro saúde com seguro viagem. São animais de zoológicos diferentes. O primeiro não substitui o outro. O seguro viagem é um produto específico para quem quer colocar os pés na estrada e evitar problemas de qualquer ordem. Por isto, possui diversas coberturas combinadas, conhecidas pelo jargão técnico como “multirrisco”. Ou seja, dentro do mesmo plano estão incluídas as mais diversas situações.

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No mesmo balaio os quesitos podem estar relacionados a extravios de bagagem, despesas médicas, cancelamentos, acidentes de voo, ou demais perdas inerentes a viagens. Outro diferencial da modalidade é que em geral dispõe de uma central de assistência 24 horas no idioma do turista.

À primeira vista, todos as apólices parecem iguais. Não é bem assim. Há diferenças entre elas. Um seguro pode cobrir apenas a duração de uma viagem, como incluir vários percursos em um período determinado. Há também variações significativas entre tipos de cobertura e limites reembolsáveis para despesas médicas. Por isto é recomendável avaliar com cuidado os eventos incluídos e excluídos, assim como exceções e restrições de cada produto.

Na maioria das situações é no mínimo ingênuo apostar na sorte, e achar que “comigo nada vai acontecer”. Esta avaliação sai caro. Basta dizer que as despesas médicas emergenciais no exterior, entre internação e medicamentos costuma ser astronômicas. É que o sistema de saúde foi feito para atender os residentes no país, que para isto pagam impostos. Por isto, muitos países, principalmente os europeus, tornaram obrigatória a contratação de seguro de saúde para visitantes estrangeiros.

VIAGEM ÀS CEGAS – Embarcar para um destino desconhecido sem antes avaliar os riscos pode ser temerário.
MÉDICOS NO EXTERIOR

“Qualquer médico ou hospital no exterior cobrará de viajantes e turistas o valor cheio, e que pode representar uma pequena fortuna. Como exemplo, nos EUA, um dia de Hospital chega a USD 12 mil e uma simples cirurgia de apêndice até USD 30 mil. Imagine ter que dispor de recursos financeiros para tratar de um apêndice de filho ou uma dor de dente, sem conhecer nenhum hospital próximo ou contar com uma cobertura para isto” comenta o especialista Klaus Kühnast, da Bekup Corretora de Seguros.

Duas questões cruciais merecem atenção redobrada do viajante. A primeira é que nem todo plano de saúde cobre todo o território nacional ou do exterior. É fundamental verificar com o corretor as condições contratadas.

A segunda questão é sobre o seguro ofertado pelos cartões de crédito internacionais. Muita gente pensa que está automaticamente protegida se usar este meio de pagamento nas compras de viagens. Não é bem assim. Em geral são apólices genéricas que podem variar em âmbito da cobertura e valores, dependendo do tipo de cartão. “Normalmente os valores do seguro viagem não são suficientes para uma eventual necessidade. Por exemplo, vários oferecem apenas USD 10 mil de cobertura em viagens para os EUA, o que é muito pouco”, adverte Klaus.

KLAUS KUHNAST – “Nem sempre a apólice do seguro do cartão de crédito cobre tudo de um incidente de viagem”

Além dos itens associados à saúde, o passageiro deve observar também as condições de indenização de bagagens extraviadas e danos às malas. Mas a maior atenção deve se concentrar no grande vilão das viagens, que é o cancelamento ou interrupção do trajeto. Quase sempre menosprezado na hora da contratação do seguro, é o mais útil diante de mudanças forçadas dos planos, tanto antes como durante o percurso.

Uma boa cobertura de seguro viagem oferece não só um amplo leque de razões para aceitar a desistência ou volta antecipada, como generosidade no reembolso de despesas. É nesta hora é que se conhece um bom seguro de viagens. A maioria, infelizmente, é implacável com regras desvantajosas ao viajante, e sovina nos valores a pagar.

PRÓS E CONTRAS

Fica, enfim, a grande questão: vale sempre a pena fazer seguro de viagem? Não há uma resposta pronta. Cada viajante enfrenta uma situação diferente, dependendo do tipo de bilhete adquirido, idade, situação médica, valor da bagagem, destino escolhido, condições financeiras da agência ou companhia aérea, tipo de coberturas já contratadas (plano médico, seguro de vida, cartão de crédito etc). Enfim, para uns o seguro é bom negócio; para outros, não.

Antes de tomar a decisão sobre adquirir um seguro viagem, três fatores devem ser avaliados. O primeiro é se existem reais chances de problemas ocorrerem durante a viagem. O segundo é se um eventual prejuízo justifica o investimento em seguro. E o terceiro a disposição para correr riscos. Afinal, principalmente para quem viaja, paz de espírito não tem preço.

SEMPRE HÁ RISCO – A vida é cheia de cascas de banana que podem surgir de repente no caminho .

Matéria publicada na revista Viagens S.A., maio de 2018

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