AQUI TUDO COMEÇOU - O sucesso do hotel e resort Royal Palm Plaza é a vitória do sonho que se concretizou em 21 anos.
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Ao vender sua bem-sucedida indústria de alimentos para uma multinacional em 1997 o empresário Armindo Dias teria o legítimo direito de se aposentar. Afinal, depois de tantas décadas de trabalho profícuo, o imigrante português que chegara ao Brasil sem um centavo, acumulara um confortável patrimônio. Mas, diferente do que a maioria faria em seu lugar, Armindo preferiu se reinventar. Usou o capital obtido com a venda para investir em imóveis, concessionárias e um hotel. Nascia assim o Grupo Arcel – combinação das letras iniciais de seu nome com o de sua mulher Célia.

Dos seus quatro filhos, escalou Antonio para cuidar da novíssima divisão hoteleira. Surgiu com a aquisição do Royal Palm Hotel & Racket Club, em Campinas. Com 125 apartamentos, instalada no entroncamento de importantes estradas na saída da cidade, a propriedade fora inaugurada sob a bandeira Holiday Inn. Mais tarde, já com o novo nome, passou a ser operada diretamente por dois sócios norte-americanos. Até que, onze anos depois, eles resolveram se desfazer do empreendimento.

TAL PAI, TAL FILHO – Antonio expandiu o sonho de Armindo graças à harmonia e vontade de realizar dos dois.

A intuição de Armindo Dias, recentemente falecido, enxergou ali algo que poucos conseguiriam perceber. Havia uma combinação de fatores que tinha tudo para transformar o local em um excelente negócio. A começar por sua localização em Campinas, uma cidade progressista, cercada de multinacionais, indústrias de peso e mundo acadêmico. Somava-se o fácil acesso a São Paulo, já que o hotel é circundado pelas excelentes rodovias Anhanguera e Santos Dumont, e próximo à Bandeirantes e Dom Pedro II. Para completar, ficava a apenas 16 quilômetros do Aeroporto de Viracopos – na época ainda com foco em cargas, com um movimento insignificante de passageiros.

ADMIRAÇÃO E RECONHECIMENTO   

Pois quem te viu, que te vê. Admirado por clientes, colaboradores e demais públicos, reconhecido e seguidamente premiado pelo mercado, invejado e copiado por concorrentes, o lugar transformou-se no principal complexo de eventos e hotelaria do país. Com muito tijolo e perseverança, o que era foi há 21 anos apenas um bom hotel com área de lazer foi gradualmente ampliado por pai e filho, até se tornar no ícone de hoje.

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Nada surgiu por acaso. Foi obra de inabalável visão otimista da família, e fruto da vontade do patriarca de gerar empregos e contribuir para o desenvolvimento de Campinas. Afinal, foi aquela cidade que o acolheu no passado, e que deu a ele a oportunidade de constituir família e gerar prosperidade.

Ao longo dos anos, não houve qualquer recuo nos investimentos programados. Nem mesmo diante do difícil cenário econômico atravessado recentemente pelo Brasil, ou dificuldades financeiras enfrentadas por sócios em um dos empreendimentos, nem a complicada situação política de Campinas. Basta dizer que o município vem enfrentando há anos sucessivos Prefeitos com problemas na Justiça, com reflexos negativos para os negócios.

FAÇANHA IMPOSSÍVEL – O Royal Palm consegue ao mesmo tempo a convivência entre crianças e executivos.

Apesar dos empecilhos, o empreendimento dos Dias foi em frente e se expandiu. Por trás do otimismo dos gestores havia também uma forte demanda não atendida pelo mercado. Faltava na região um centro de convenções de grande porte, com serviços completos, interligado a hotéis de diferentes categorias. Pois não existe mais. O projeto está completo, e o empreendimento atual é este:

– Royal Palm Plaza Resort – com 430 apartamentos, conta com completa estrutura de lazer, composta por diversas piscinas, quadras de tênis, ginásio, áreas infantis tematizadas, campo de futebol, quadras de tênis e completa programação de lazer, 8 bares e restaurantes. Há ainda 5.400 m² de salas e foyers para realização de eventos.

– Royal Palm Hall – Centro de Convenções de serviços completos com 44 mil m² de área construída; 51 espaços de eventos e 13, 5 mil m² de salas e foyers. O destaque é o seu ballroom (salão nobre). É o maior do Brasil, com 4.500 m² de área, capacidade para até 5 mil pessoas em auditório, até 3,5 mil em refeições, ou ainda 9 mil em um show.

– Royal Palm Tower Anhanguera – hotel com 190 apartamentos na categoria upper-midscale (quatro estrelas superior), com lobby bar, área de fitness, piscina e restaurante. Ligado ao Centro de Convenções, tem um dos maiores salões de eventos de Campinas.

Faltava ainda uma peça. “O Centro de Convenções precisava muito de uma opção econômica de hospedagem. Temos congressos com estudantes, staffs das grandes convenções e os próprios eventos do resort também precisam desta opção para hospedar diferentes públicos”, explica Antonio Dias.

Foi assim que nasceu o Hotel Contemporâneo, um econômico com 280 apartamentos de 20 m2. Para atender este tipo de hóspede que quer gastar menos, adota o conceito “chic & basic” come serviços enxutos. Por exemplo, no lobby ficam bebidas e comidas de conveniência (24 horas). Há também um restaurante com autosserviço com 250 lugares.

Somados todos os apartamentos com diferentes categorias, a capacidade de hospedagem chega em 900 pessoas. Para completar o projeto do complexo há ainda uma nova vertente, em fase de conclusão: um mall com galeria de lojas de conveniência e praça de alimentação, e três torres de escritórios.

INVESTIMENTOS

No novo empreendimento foram investidos R$ 500 milhões, dos quais metade no Centro de Convenções. Neste valor estão incluídos R$ 28 milhões nas obras de contrapartida negociadas com o município. Como um viaduto que atravessa a Rodovia Anhanguera – e que recebeu o nome de Armindo Dias; pavimentações e urbanização de ruas no entorno; tubulações de água e esgoto; ciclovia; entre outras benfeitorias.

Mas justiça seja feita, do sonho à realização há imensa distância. De nada adiantaria a intenção de Armindo sem a dedicação e talento de Antonio Dias, diretor-executivo do hotel desde o primeiro minuto. O pai não foi apenas um empresário de visão, mas também um homem de sorte. O filho Antonio herdou dele não só a mesma intuição para negócios, valores éticos e capacidade de trabalho. Ele também se desenvolveu na arte da hotelaria, dando ao complexo o conteúdo e forma que se vê hoje. Sem qualquer experiência anterior em hotelaria, apostou de forma obstinada em sua formação profissional. Administrador de empresas com mestrado na EAESP-FGV, fez intercâmbio na Cranfield University (Inglaterra), com graduações no INSEAD, França e Cornell University, nos Estados Unidos.

Quem acompanhou de perto nos últimos 38 anos toda esta evolução foi Sandra Neumann, diretora geral do Royal Palm Plaza Resorts. Em 1985 ela foi contratada pelos antigos proprietários para cuidar do marketing e vendas do estabelecimento. Seu primeiro trabalho foi administrar a transição da marca Holiday Inn para o extenso novo nome na época, The Royal Palm Plaza Hotel & Racket Plaza. Doze anos depois, ela estava lá quando a família Dias adquiriu o negócio. “Foi uma mudança cultural de gestão. Até então prevalecia uma hotelaria americana com foco em negócios, que deu lugar a um modelo europeu mais aristocrático”, ela recorda. “A família Dias trouxe uma visão empreendedora que permitiu várias expansões. Foi um trabalho intenso para atender a vontade de Armindo de gerar empregos e negócios para a região. Ele queria projetar Campinas como o melhor destino para eventos e lazer ao mesmo tempo”.

CENTRO DE CONVENÇÕES – Além das 51 espaços, o ballroom pode receber até 5 mil pessoas em formato de auditório.

Aqui está um dos principais segredos do sucesso do Royal Palm: seu pioneirismo ao tornar negócios e lazer complementares. Nenhum hoteleiro na época sabia como enfrentar o desafio da ociosidade típica de hotel de negócios, que mantém boa ocupação nos dias de semana, mas fica vazio nos demais. “A meta foi fazer o hóspede se sentir como em um clube, e oferecer principalmente nos fins de semana e feriados uma gama de atividades para a família”.

DESAFIOS

Dito assim, parece coisa fácil. Mas quem lida com o setor sabe o grau de dificuldade de administrar no mesmo lugar dois públicos tão diferentes. A resposta é investir pesado em treinamento da equipe. “A solução é investir no fator humano, levando em conta tanto os interesses do cliente interno (colaboradores) como a do externo (hóspedes)”, Sandra revela. “Desenvolvemos uma cultura voltada para as pessoas. A nossa missão é criar e manter um ambiente propício à interação”, resume.

Como não poderia deixar de ser, a avaliação de Sandra Neumann se encaixa como luva com a de Antonio Dias. “Nosso maior desafio é a gestão humana. Queremos desenvolver o sentido de pertencimento e de propósito em cada um dos nossos 1450 colaboradores. Isto é obtido através de treinamento, meritocracia, e priorização das promoções internas”, complementa.

FIEL ESCUDEIRA – Sandra Neumann, diretora geral do Royal Palm, está lá há 38 anos, antes dos Dias adquirirem o negócio.

Além do complexo de quatro hotéis e um centro de convenções, o grupo é formado hoje por mais dois hotéis em Campinas e um em Indaiatuba. Mas Antonio pensa na expansão. Provavelmente no futuro um estabelecimento próximo a uma praia. O que falta? “Vai depender de vários fatores, como a malha aérea, ainda muito incompleta no Brasil”. Esta é a senha para lembrar também o absurdo custo Brasil, com a energia e água mais caras do mundo, quase 70% de encargo trabalhista, IPTU altíssimo, e carga tributária sufocante.

Apesar dos obstáculos, a família Dias chegou, viu e venceu. Diante de tanto sucesso, há uma questão irresistível: por que não surgiu uma concorrência à altura do Royal Palm? Está todo mundo cego? “Nós conseguimos nos tornar uma “one-stop shop”. Temos todos os serviços integrados, de forma completa e única no mercado. O nosso diferencial acabou por criar uma barreira de entrada”, conclui Antonio.

O COMPLEXO ROYAL PLAZA – o resort original (esquerda) ficou até pequeno perto do novo centro de convenções.
JARDINS NO DESERTO

Em uma irresistível analogia, o pai Armindo Dias soube plantar flores no deserto. Afinal, ninguém apostaria em construir o maior complexo hoteleiro de negócios e lazer do país em um entroncamento de estradas, com vista para carros e caminhões, na periferia da cidade e distante uma hora da Capital. Contra tudo e todos ele provou que isto era possível. Ao acreditar nos mesmos sonhos e ideais, o filho Antonio deu continuidade e ampliou o projeto. Hoje onde nasceram as primeiras flores, conseguiu criar, junto com a equipe, um bosque. Mas, pelo jeito, a obra ainda está bem longe de acabar.

Matéria publicada na revista Viagens S.A.

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1 COMENTÁRIO

  1. Fábio, excelente relato e sensibilidade para perceber e descrever toda a trajetória da família Dias neste empreendimento. E ainda faltou incluir o hotel boutique The Palms, que encantou a seleção portuguesa por ocasião da Copa no Brasil. Um abraço.

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