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Não faltou tempo, tampouco condições, para realizar uma Copa do Mundo à altura do Brasil. Infelizmente, a realidade já indica um vencedor deste campeonato: a do país com pior planejamento deste evento no mundo. Diante da perspectiva de um fiasco organizacional, a caça às bruxas pelas autoridades do turismo já começou. Simplisticamente, a culpa é dos altos preços da hotelaria e companhias aéreas que estão afugentando o visitante estrangeiro. E a violência incontida, a falta de infraestrutura, a incompetência oficial, a falta de financiamentos e políticas públicas, o custo Brasil não pesam?

Está aberta a temporada de caça aos responsáveis pelo fiasco na organização da Copa do Mundo no Brasil. Todo mundo viu que faltou planejamento oficial, da construção dos estádios à infraestrutura – estradas de acesso, aeroportos, capacitação de pessoal, entre outros. Adotando a teoria de que “a melhor defesa é o ataque”, o governo soltou seus cães doberman para estraçalhar quem encontrasse pelo caminho.

Farejando o apelo popularesco, o vilão da vez são os preços cobrados pelas passagens aéreas e hotéis. Não faltaram ameaças das autoridades, e o assunto em vez de ser discutido no âmbito do turismo deslocou-se para órgãos como o Ministério da Justiça.

Atônitos, assistimos a esta situação patética, como se os problemas da Copa se resumissem a controlar preços, ignorando a lei da oferta e procura diante de grandes eventos. Representantes e especialistas do setor são unânimes em mencionar uma soma de fatores dos maus resultados, o que inclui a inexistência de planejamento federal; a falta de infraestrutura; o loteamento de áreas chave do governo com gente que desconhece e sofre de inapetência para o turismo; a violência no país; a pesada carga tributária; a legislação trabalhista inadequada ao segmento: o difícil acesso a financiamento e a ausência de incentivos fiscais.

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Corre-se o risco de perder o maior benefício da Copa, que é a exposição internacional do país. Faltam estratégias que deveriam ser programadas entre o poder público e a iniciativa privada, como antecipar e prolongar a estada dos visitantes, ou alavancar o turismo em locais próximos às cidades-sede.

No caso da aviação, as empresas fizeram a sua parte e a malha aérea foi redesenhada em junho e julho. A Gol, por exemplo, promete oferecer 4,5 milhões de assentos, ou seja, 85% da capacidade dos estádios, com tarifas de até R$ 499. Quanto à hotelaria, só as 25 redes associadas ao FOHB investiram US$ 7 bilhões em novos empreendimentos. Agora, elas amargam uma baixa ocupação nos dias e locais onde os jogos vão ocorrer. Em São Paulo, a ociosidade chega a 57% das reservas, e que pode se agravar a partir de abril, quando a Match, braço operacional da FIFA, liberar 30% de quartos bloqueados não vendidos. Ao superavaliar a ocupação e desestimular a vocação da cidade para negócios, o governo promoveu um deslocamento da demanda de quem visita um destino pela eventual substituição pelo público da Copa que não deve ocorrer. O mundo corporativo cancelou idas a São Paulo entre o mês anterior ao seguinte à realização da Copa.

Eventos como a Francal, feira de calçados que vai começar dois dias após o fim da Copa, sofrem com a fuga de participantes. “Disseram que não haveria hotelaria, os voos estariam lotados, e o custo seria exorbitante”, lamenta Abdala Jamil Abdala, presidente da Feira. Hoje ele corre atrás do prejuízo diante da queda de 15% no movimento. A Francal não está sozinha. “O Brasil teve sete anos para se preparar, mas não fez o que devia”, diz.

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