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Definitivamente o governo ainda não entendeu nada sobre a importância ecônomico-social do turismo, e o seu ministério se tornou apenas moeda de troca para acomodações políticas. Na contramão do que se observa no resto do mundo, o Brasil trata a importante indústria como uma mercadoria de segunda qualidade. Mas será que apenas o governo é culpado por esta situação vergonhosa?

Recentes declarações de um Senador da República a quem foi oferecida a vaga de ministro do Turismo como forma de acomodar interesses políticos define a visão que o governo atual tem do setor. O jornalista Josias de Souza, da Folha de S. Paulo, registra que o parlamentar recusou o convite, pois “acha que se trata de uma pasta de pouca relevância”.

O congressista ofendido não aceitou o cargo com a mesma lógica que não concordaria em ser bailarino de tango ou astronauta: ele não entende e nada tem a ver com turismo. Reflete assim a visão equivocada com que o assunto é tratado por governos, em especial o federal. O descaso é tamanho que a mudança de um cargo de tal importância ocorre na véspera da realização no país da Copa do Mundo, um evento de peso e intensa visibilidade mundial. Em qualquer país ajuizado, a questão receberia prioridade absoluta do governo, pois esta é a pior hora para fazer arriscados experimentos gerenciais.

“É desanimador, uma vergonha!”, desaba Mauro Schwartzmann, dirigente da Costa Brava. “Estou decepcionado”, diz o veterano Eduardo Nascimento. Como eles, todo o turismo brasileiro deveria estar de luto. Esta é mais uma demonstração de que a indústria não é vista pela imensa capacidade de alavancagem socioeconômica.

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Com o potencial turístico do Brasil, é inacreditável que continue a patinar na faixa dos seis milhões de estrangeiros por ano – menos que a visitação da Torre Eiffel em Paris, que sozinha recebe quase 7 milhões de visitantes. Outro exemplo: as cataratas do Iguaçu são infinitamente mais imponentes que Niágara Falls, na fronteira dos Estados Unidos e Canadá. No entanto, o nosso parque nacional registra anualmente não mais que um milhão de turistas, enquanto que a norte-americana recebe 22,5 milhões de pessoas.

A Organização Mundial do Turismo (OIT) revela que esta indústria já supera no mundo a de petróleo, produtos alimentícios e automobilística. Com uma média de 9% de contribuição para o PIB global, uma renda de US$ 1,3 trilhão, crescimento de 5% ao ano e geradora de um em cada 11 empregos, não é para menos que os principais destinos internacionais tratem o turismo a pão de ló e disputem palmo a palmo a atração de viajantes.

Mas sejamos honestos. A culpa não é só do governo. Diante de seu imenso poder de fogo, a iniciativa privada deveria melhor demonstrar e impor sua importância junto às autoridades. Ao invés de adulações, resignações ou correr atrás de benefícios individuais, está na hora dos empresários sérios copiarem, por exemplo, o que faz a indústria automobilística, que sabe reivindicar seus interesses como ninguém. “O turismo não precisa de Ministério para ser barganhado, mas de ferramentas eficazes que ajudem a fortalecer a atividade e o consolide”, afirma Caio de Carvalho, um dos mais experimentados dirigentes públicos, hoje refugiado na iniciativa privada.

“Não existe desenvolvimento do turismo sem uma relação próxima entre os setores público e privado. O turismo precisa encontrar novas formas de colaboração entre os dois setores para se manter atualizado com as transformações do mercado”. Palavras de Taleb Rifai, secretário-geral da OIT.

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