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Há dois tipos de atividades profissionais. Na primeira, a má prática dá transparência ao erro, com consequências imediatas. É assim com o médico que mata pacientes, o advogado que perde ações, o engenheiro que desaba obras, o cozinheiro que produz comida intragável. Já no segundo grupo fica complexo estabelecer uma relação direta entre causa e efeito.

Tiram proveito da situação alguns oportunistas que atuam em atividades como Economia, Consultoria, Futurologia, Política e Religião, entre outras. Apostam no tempo e na impossibilidade de medir resultados ainda em vida de forma rápida e objetiva. Pela própria natureza do assunto, surfam à vontade no terreno pantanoso do “achômetro”.

 O Turismo no Brasil também é vítima fácil deste perfil. No momento terra de ninguém, tornou-se fértil para o florescimento de ervas daninhas. Isto permite a pessoas nefastas se mimetizarem junto a uma maioria formada por gente séria e competente. Numa triste inversão de valores, a promiscuidade acaba por democratizar a mediocridade. Torna-se muito difícil separar visionários de falsos profetas.

 Nenhum setor, seja público ou privado, escapa. Com poucas exceções, Ministros, secretários e autoridades estaduais e municipais se revezam em um lamentável desfile de incompetência e oportunismo. Prevalece assim um tsunami de enganosas lideranças no Turismo oficial do país. Posiciona-se na contramão do resto do mundo, onde o tema recebe o tratamento prioritário do que é: uma indústria poderosa que gera riquezas e desenvolvimento social. Diante deste cenário, profissionais talentosos a serviço do setor público precocemente penduram as chuteiras ou são rechaçados. Para desencanto dos que amam o turismo, vão atuar em segmentos que reconheçam neles o devido valor.   

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Igual situação vive o setor empresarial do Turismo em seus diversificados elos da cadeia econômica. Os mais competentes se omitem de liderar associações e entidades de classe. Como efeito colateral, a falta de legitimidade de muitas destas organizações acaba por produzir o fenômeno de representar uma parcela ínfima do seu próprio grupo de interesse. Há exceções, é claro, mas são minoria.

 Ao deixarem que as coisas ocorram assim, os competentes omissos cedem lugar a gestores por vezes até bem-intencionadas, mas não raro despreparados, obsoletos ou que já deram plenas mostras de sua incapacidade funcional. Talvez até para camuflar suas limitações, coincide que esta mesma gente adota um comportamento submisso e de bajulação às autoridades de plantão. Busca desta maneira captar migalhas de benesses financeiras ou simplesmente compartilhar sobras de poder. Neste processo, estas pessoas conseguem se mimetizar aos humores e gostos dos recém empossados com a mesma velocidade com esquecem suas excelentes relações com os mandatários caídos do passado.   

 Neste contexto, boa parte da imprensa dedicada ao trade turístico aderiu ao formato “chapa branca”. Recorre a um falso jornalismo, travestido de sério, mas na prática esterilizado de qualquer possibilidade de crítica ao status quo. Curvando-se ao dinheiro e aos poderosos, a informaçãose transforma em negócio. A notícia se ajusta à troca de anúncios, viagens gratuitas, permutas, ou pratos de comida, deixando a realidade do noticiário e o interesse do consumidor para segundo plano.

 Precisa ser assim? Claro que não. E há vários exemplos positivos que demonstram que é possível seguir um caminho oposto. Afinal, o Turismo brasileiro não merece este tratamento cruel, míope e incompatível com o seu imenso potencial. O preço da omissão dos verdadeiros interessados e a crônica desunião do setor têm permitido historicamente a ocupação dos sem-causa. Usurpam assim uma das atividades mais respeitadas do mundo. Enquanto o setor patina ou dorme em berço esplêndido em seu microcosmo, repetindo o lamentável modelo observado no Brasil, outros países ocupam o espaço, atraindo em grande volume mais visitantes internacionais. A começar pelos próprios brasileiros.

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