AMBIGUIDADE NO AR - Avião representa o prazer em voar de antigamente ou se tornou um mal necessário?
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(Reprodução de matéria publicada na revista Viagens S.A., aqui dividida em duas partes)
NO BRASIL, RELAÇÃO AMOR – ÓDIO 

Falem mal, mas falem de mim. Esta expressão popular cabe como luva para explicar a relação amor-ódio que impera entre a Aviação no Brasil e o consumidor. Quanto mais as companhias aéreas maltratam os passageiros, principalmente os infelizes da classe econômica, mais parece que eles optam por este tipo de transporte para suas viagens.

O fenômeno não é brasileiro, mas mundial. A caixinha de “maldades” das empresas, sob a bandeira de lucratividade, parece não ter fim. Espaço mais reduzido entre fileiras das poltronas menos confortáveis. Mais gente a bordo, menos banheiros. Cobrança de bagagem despachada. Tormentosas operações de embarque e desembarque. Taxa de tudo o que é possível, inclusive para escolher assento com antecedência. Voos com refeições escassas, ruins, pagas ou até inexistentes. É a imaginação sem fim.

SARDINHAS AÉREAS? Quem ainda não se sentiu assim nas poltronas da classe econômica, apertadas e sem reclínio?

No entanto, nunca se voou tanto. No mundo já chegam a 4.3 bilhões de passageiros por ano. A aviação, que já foi coisa de elite no passado, ascendeu enfim à categoria de transporte de massa. Tornou-se vetor de desenvolvimento. Simples assim: onde há aviação, chega junto o progresso. No Brasil, depois de dois anos de sufoco causados pela crise econômica de 2015 e 2016, o setor comemora a quase total recuperação.

Recuperação total

Quase 103 milhões de passageiros foram transportados em 2018 pelas quatro maiores empresas brasileiras (99% do total) – somados aí os mercados doméstico e internacional. Destes, 93 milhões voaram dentro do país. Trata-se de um vigoroso crescimento de 3,57% em relação ao ano anterior. Ou seja, embarcou uma multidão de 3,2 milhões de pessoas a mais que 2017. Hoje, o Brasil é o terceiro maior mercado aéreo doméstico do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e China.

De acordo com a ABEAR (Associação Brasileira de Empresas Aéreas), o índice de aproveitamento foi de excelentes 81.41%. Trocando em miúdos, as aeronaves percorreram o espaço nacional quase lotadas. Ninguém perguntou, mas não custa responder: não é para menos que com números como estes, bem diferentes dos 70% de ocupação do passado, cada vez as companhias aéreas dependam menos dos programas de milhagens. Isto ajuda a explicar porque agora é necessário resgatar com muito mais pontos os mesmos percursos de poucos anos atrás.

EMBARQUE TUMULTUADO – Com a popularização das viagens aéreas cenas assim se tornaram rotina no Brasil.

Era da modernidade

“Com a regulamentação do setor em 2008 a aviação brasileira entrou na era da modernidade. Dez anos depois, as passagens custam a metade”, comenta o consultor Adalberto Febeliano. “A rápida recuperação do número de passageiros para os índices anteriores a 2015 demonstra que transporte aéreo virou commodity. Tornou-se uma necessidade básica do brasileiro”, completa o especialista.

No mundo todo a aviação comercial vive um bom momento. Começa pelos Estados Unidos, que concentra o maior movimento de aeronaves do planeta. “Após fase difícil, as fusões e consolidações que ocorreram na indústria norte-americana tornaram o setor saudável”, explica Febeliano. Lá, o setor passou a dar lucro nos últimos seis a sete anos. Este mesmo modelo se propagou na Europa e outros países. Para isto todas adotaram medidas antipáticas equivalentes, como apertar os assentos, cortar a comida ou cobrar serviços ou itens antes incluídos na passagem. Este último, conhecido como unbundling, pode não agradar os passageiros, mas serviu para estancar as finanças combalidas da aviação.

Importância reconhecida

Os governos cada vez mais reconhecem a importância da aviação para o desenvolvimento. No Brasil, recentes exemplos são investimentos que trouxeram melhoria significativa da infraestrutura e programas de privatização de aeroportos. Neste mesmo patamar, veio a liberação de aquisição de até 100% do capital estrangeiro em companhias aéreas brasileiras. Especialistas apostam nesta medida para aumentar a competitividade e reduzir o preço médio das tarifas, assim como maior lucratividade das empresas.

UNBUNDLING – Traduzindo em miudos, significa liberar os pedacinhos embutidos no mesmo ticket e só pagar o que usar.

EM BREVE, LEIA A PARTE 2

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