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O Brasil virou notícia mundial negativa na área de saúde, sob o patrocínio do mosquito Aedes aegypti. Além dos 1.6 milhão de infectados por dengue em 2015, os quase 4 mil bebês com microcefalia transmitidos pelo vírus Zika promoveram o turismo do país ao revés. A pá de cal foi alerta das autoridades de saúde norte-americanas para que mulheres grávidas evitem viajar para o Brasil.

Nenhum país está imune a epidemias, assim como catástrofes naturais, acidentes, terrorismo e crimes, entre outros. Mas uma coisa é inevitável.
Nestas situações, a primeira vítima sempre é o turismo.

O que diferencia o Brasil de países que dão ao segmento a importância de indústria que representa é o tratamento dedicado às crises. O que se espera dos responsáveis é uma resposta rápida e esclarecedora, capaz de minimizar estragos e trazer tranquilidade ao visitante internacional.

Pois no recente caso zika, alguém ouviu um pio da Embratur, Ministério do Turismo, autoridade ou entidade de classe turística sobre o assunto dentro ou fora do país? Pela omissão de todos, até parece para o resto do mundo que o Brasil inteiro adoeceu.

Não precisa ser assim. É que na falta de comunicação profissional, uma informação não oferecida tende a se transformar em desinformação oficializada.  E na ausência absoluta de quem o defenda com competência e argumentos, foi o Brasil que (mais uma vez) pagou o pato!

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O cerne do problema é a forma amadorística e obsoleta com que o turismo brasileiro é agraciado. E neste ponto é preciso dizer que a incompetência do governo e a desunião e falta de estrutura profissional do setor privado são cúmplices no resultado.

Enquanto Nova York, sede da recente tragédia do World Trade Center, comemora anos depois um recorde de 58.3 milhões de visitantes durante 2015, dos quais 12.3 internacionais (destes, quase um milhão de brasileiros), o nosso país patina há décadas sobre os mesmos 6 milhões de turistas estrangeiros.

Nada ocorre por acaso. Por trás destes dados, há uma hiperativa agência de incremento ao turismo, a NYC & Company. Ela é responsável por orquestrar os elos da cadeia para que todos toquem juntos a mesma sinfonia.

O modelo vencedor de New York e de outras cidades norte-americanas se repete em escala nacional. Desde 2010 cabe à Brand USA esta missão. É uma organização público-privada criada para atrair o viajante internacional ao país. Para isto trabalha em estreita parceria com 500 organizações da indústria de viagens.

Sem custo para o contribuinte, seus investimentos iniciais foram feitos por empresas privadas, entre elas a Disney, Universal, redes de hotéis, locadoras, complementado por taxas cobradas pelo governo de visitantes internacionais. Seu conselho diretivo é formado por 11 membros indicados pela Secretário de Comércio (o que corresponderia no Brasil ao Ministério da Indústria e Comércio, já que criar um Ministério do Turismo por lá seria considerado piada de mau gosto).

Cada membro contribui com experiência e representatividade dos principais setores da indústria de viagens interessados, como hotelaria; transportes por ar, terra e mar; comércio em geral; órgãos estaduais de turismo; restaurantes; empresas de entretenimento; convention & visitors bureaux, entre outros.

 “O Brand USA tem um papel único como organização nacional cooperativa de marketing de destino, com a meta de aumentar a boa imagem dos Estados Unidos entre viajantes internacionais para que visitem e gastem dinheiro em nosso país”, explica o presidente e CEO da organização Christopher Thompson.

Com 30 anos de atuação na área, ele apresenta inquestionáveis resultados do trabalho. Em cerca de cinco anos, já conseguiu atrair 75 milhões de visitantes estrangeiros que gastaram 221 bilhões de dólares. Não é pouco. Trata-se do principal item de exportação do país, e representa 9% do total. Além disso, gera 1.1 milhão de empregos. “Nossa meta é trazer 100 milhões de visitantes internacionais até 2021”, Thompson conclui.  

Difícil imaginar uma instituição como a Brand USA não reagir com agilidade para defender os interesses do turismo do seu país diante de desinformação causada por uma crise pública de qualquer tipo.   

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