Parece até que o mesquinho Montgomery Burns da série Simpsons resolveu bater ponto na GOL.
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A  GOL anunciou com grande estardalhaço sua nova política de preços das passagens. Ao dividir os tickets em quatro categorias, na prática a companhia aérea criou classes diferentes de passageiros. Ou seja, os clientes que pagarem a tarifa 30% mais cara terão direito a tudo que é bom, inclusive poltronas mais confortáveis e espaçosas. No entanto, os que optarem pela mais barata, precisam comprar quase tudo por fora, exceto o oxigênio que respiram dentro do avião.

Onde foi parar a simpatia, simplicidade e irreverência das Linhas Aéreas Inteligentes?
Esquizofrinia aérea

Na prática, a GOL está criando um modelo de negócios esquizofrênico. Transformou-se numa espécie de Dr. Jekyll e Mr. Hide (“O médico e o monstro”) da aviação. No mesmo avião convivem desde as práticas regulares das melhores companhias aéreas até as típicas de low-fare.

Neste seu segundo perfil a GOL lembra a odiosa irlandesa Ryanair. Aquela que sugeriu acabar com os banheiros e fazer os passageiros viajarem em pé, tudo que economizar espaço nas aeronaves.

A detestável irlandesa Ryanair não deveria servir de modelo para ninguém.

O que mais chama a atenção da nova plataforma de preços é, digamos assim, a mesquinhez pela cobrança de itens que até pareciam ser quase direito adquirido do passageiro.

Precisava disto?
PayPal

Dois exemplos. Fica proibido adiantar o voo para quem adquirir a passagem mais barata, apelidada de promocional. Mesmo se quiser pagar por isto. Já a categoria imediatamente mais cara, a Light, exige R$50,00 para obter o privilégio.

Quem não dispender entre R$10,00 (promocional) e R$20,00 (light) não poderá marcar assentos a menos de sete dias da viagem. Isto pode representar o risco de viajar separado de filho pequeno. Ou de idoso ou doente que exige cuidados especiais. Ou mesmo o acompanhante.

Somem-se os já conhecidos gastos com bagagens despachadas. No caso da GOL variam entre R$30,00 por unidade, se comprado com antecedência, até R$60,00, se negociado na hora do check-in.

Mensagem para Paulo Kakinoff: não deixe financistas atrapalharem sua brilhante trajetória na GOL

Numa economia livre e competitiva é direito legítimo de cada companhia aérea taxar quanto bem entender por seus serviços. Afinal, quem não quiser que busque a concorrência. Mas será que uma empresa tão encantadora e bem-sucedida até hoje como a GOL precisava de medidas tão unha de fome? Onde foi parar o slogan “companhia inteligente”?

Transporte de massa

Ora, diriam os mais céticos. Quem quiser que pague mais caro para garantir regalias. Só que esta decisão, antipática e desnecessária, vai na contramão da filosofia do setor de que avião virou transporte de massa.

Dizem que o Tio Patinhas é outro personagem que está procurando emprego na GOL

Atirar em itens menores como direito de anteceder voos ou escolher lugares dificilmente fará a GOL melhorar os resultados financeiros. O tiro teria sido muito mais certeiro e efetivo se mirasse em fatores de impacto, como os absurdos impostos cobrados sobre o combustível de aviação.

Ou então concentrar baterias na legislação obsoleta que afeta a lucratividade da aviação brasileira. Claro que esforços já estão sendo feitos neste sentido, só que exigem longo prazo para serem corrigidos. O que não faz sentido neste interim é penalizar o passageiro que só quer economizar na passagem de avião, não raro por motivos urgentes e graves.

Espera-se que as demais companhias aéreas não imitem a tabela de preços da GOL para não parecer que são um cartel
Copiar só o que for bom

Espera-se que o mau exemplo da GOL, neste instante vendido como ganho para o consumidor, não se repita nos concorrentes. Afinal, além de contra produtivo para a imagem pública poderia dar a impressão de que existe um nocivo cartel em um setor tão vital para a economia.

O consumidor não é besta e sabe distinguir o que é realmente melhor para ele daquilo que é puro marketing.

 

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