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Construído em 1922 no Rio de Janeiro como o primeiro cinco estrelas do país, o Hotel Glória tinha tudo para se tornar um marco eterno.  

O seu erro fatal foi nascer em um país onde o patrimônio histórico é ignorado. Foi desenhado pelo mesmo Joseph Gire que criou na mesma época o Hotel Copacabana Palace, este sim preservado até hoje graças ao empenho da família Guinle em assegurar o seu futuro sem renegar o passado, mesmo que em outras mãos.

O Glória, no seu estilo clássico, abrigava salões de festas e de jogos, áreas de lazer e 150 quartos, que após sucessivas ampliações ganhou 610 acomodações.  Por ali passaram artistas, políticos, celebridades e chefes de Estado. Jânio Quadros, Getúlio Vargas, Fernando Collor de Mello e José Sarney costumavam se hospedar nele. Albert Einstein, Maurice Béjart, Yuri Gagarin, Jane Fonda, Fidel Castro e Ava Gardner idem. Entre outros eventos, lá ocorreram convenções, congressos, bailes de formaturas e debutantes, e 34 concursos de fantasia de carnaval.

Em 2008, após 50 anos como propriedade da família de Eduardo Tapajós, morto em trágico acidente, o Hotel Glória foi vendido pela viúva anos depois ao empresário Eike Batista. Ele prometeu resgatar seu glamour do passado e transformá-lo novamente em hotel de alto luxo e requinte e, de lambuja, sede de sua empresa.

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Pois foi ali mesmo que começou o inferno astral do hotel. Em uma reforma radical que jamais terminou, foram esquartejados sem dó nem piedade paredes, mobiliários e obras de arte. Por exemplo: seis painéis pintados em 1960 pelo ceramista português João Martins foram destruídos, porque, segundo explicações da empresa de Batista dadas na época, as gravuras estariam “chumbadas e embutidas em colunas de concreto, impedindo a sua retirada”.

Em 2009, veio a pá de cal: um feirão beneficiente na cidade de Caxias liquidou a preço de banana camas, mesas, cadeiras, poltronas, escrivaninhas e portas, além de cortinas que pertenceram a 250 apartamentos do Hotel Gloria. Passado o furacão destruidor, a área onde existiu o Hotel Glória é hoje um gigante casco vazio. As obras nunca foram retomadas. Com isto, o local se transformou numa terrível cicatriz que parece zombar de todos que passam à porta.

Destino bem diferente teve o igualmente centenário Waldorf-Astoria de Nova York, Estados Unidos. Vendido em 2014 para uma companhia de seguros chinesa, nem por isto ali se encerra sua existência e enorme relação com a cidade. Faz parte do contrato assinado não só a preservação integral do local, como a garantia que a rede Hilton continuará a administrar o estabelecimento nos próximos cem anos. Não é para menos. Fundado em 1931, o hotel ocupa um quarteirão. Nos seus 42 andares, há 1.415 quartos, dos quais 21 são suítes históricas.

 Mais que mera referência a uma salada mundialmente conhecida que leva seu nome, no Waldorf-Astoria se hospedaram todos os presidentes americanos desde Franklin Delano Rooselvelt. Este, para esconder da nação que usava cadeira de rodas, costumava chegar por baixo da terra, através de uma linha de trem que até hoje liga o quarto andar do subterrâneo do hotel à vizinha Grand Central Station. É este tipo de cumplicidade entre a cidade americana e o hotel que garantiu a sua perpetuação, algo que infelizmente não aconteceu no Rio de Janeiro com o Glória, um hotel de triste sina.   

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