TRANSFORMAÇÃO - De puro transporte o navio virou destino em si. Só que o Brasil pode perder esta corrida dos cruzeiros.
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(Reprodução de matéria publicada na revista Viagens S.A., aqui dividida em duas partes)

PARTE 1 – ÁGUA À VISTA

Há 50 anos, os navios marítimos de passageiros serviam principalmente como meio de transporte para atravessar oceanos. Com o desenvolvimento da aviação comercial, teriam tudo para perder sua importância. Até que surgiu a ideia de explorar a frota para passar férias a bordo. Assim nasceu a indústria de cruzeiros.

Desde então, o setor não para de crescer. No momento, vive tremendo boom. Nunca se viu tanto navio em construção. Até 2026 mais 100 transatlânticos entrarão em operação, com oferta de 250 mil leitos. De acordo com a CLIA, associação do setor, este mercado atinge US$ 134 bilhões, e gera quase 1,109 milhões de empregos. O total de cruzeiristas também cresceu 63% em menos de dez anos, e já chega a 30 milhões de pessoas.

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FIM DO GLAMOUR – No passado, viajar em navio já foi um luxo reservado a muito poucos privilegiados.
O sucesso dos cruzeiros

A MSC Cruzeiros é um exemplo da expansão. Com ambicioso plano de investimentos de 13,6 bilhões de euros, deve construir 17 navios até 2027. Destes, 13 fazem parte de uma nova geração, como o Seaview, prestes a chegar ao Brasil.

“Viajar de cruzeiro é uma modalidade democrática, porque inclui hospedagem, transporte, alimentação e entretenimento. O amplo portfólio permite atender aos mais diversos perfis socioeconômicos e culturais”, explica Ricardo Amaral, da R11 Travel. Ele representa, entre outras, a gigantesca Royal Caribbean.

TRADIÇÃO – Presente há mais tempo que concorrentes no Brasil, a Costa Cruzeiros não parou no tempo e busca inovação.

Esta multidão de cruzeiristas embarca principalmente nas águas do Caribe (35%), Mediterrâneo (15%) e Europa (11%). Os demais países se tornam cada dia mais competitivos, entre eles China, Austrália, Nova Zelândia e Alasca.

A América Latina, apesar do potencial, ainda representa franja do movimento: pouco mais que 2%. Contrasta com o que ocorreu na Austrália. Há cinco anos não era importante. Hoje ocupa 5% do mercado mundial, com 1,3 milhões de passageiros – mais de três vezes que o Brasil.

Existem cinco categorias de cruzeiros, explica Marco Ferraz, presidente da CLIA no Brasil. O mais popular, inclusive no Brasil, é o contemporâneo. Ao transportar milhares de passageiros, consegue manter tickets baixos, em média até US$ 150/dia. Já o tipo premium envolve gastos entre US$ 150 e US$ 400. Daí em diante, há uma progressão de custos até alcançar o luxo, sem limite de valores. Somam-se ainda os cruzeiros fluviais, comuns na Europa e Ásia, e os de expedição, como os da Antártida.

Há benefícios para cada tipo de cruzeiro. Por exemplo, os meganavios dispõem de mais amenidades, restaurantes e entretenimento, e com isto ocupam o lazer em tempo integral. Já nos navios menores é possível desembarcar em portos inacessíveis aos maiores, e oferecem maior personalização dos serviços.

Cruzeiros no Brasil   

A indústria de cruzeiros no Brasil, apesar da generosa costa oceânica e rios navegáveis, não ocupa o lugar que merece. Uma série de fatores conspira contra. O casco está abalroado por desestímulos oficiais, legislação caduca, burocracia perversa e custos altos, entre outros.

DESEMBARQUE – Com metade dos passageiros do passado no país, mais brasileiros optam por cruzeiros fora.

Apesar disso, o setor luta heroicamente para não deixar o barco afundar no país. Pelo menos dois dos 50 armadores internacionais associados à CLIA, Costa Cruzeiros e MSC, nunca abandonaram as águas brasileiras. “Hoje, o segmento ainda é um nicho pequeno dentro da indústria global. O nosso maior desafio é expandir o número de turistas”, comenta Renê Hermann, veterano diretor geral da Costa Cruzeiros, empresa presente no Brasil há 70 anos.

Que fatores impedem o deslanche dos cruzeiros no Brasil? Marco Ferraz, da CLIA, cita alguns: falta de infraestrutura, impostos exorbitantes, regulação trabalhista e custos operacionais extemporâneos.

O problema começa pela dificuldade de destinos para atracação dos navios, como ausência de dragagem e pier. “Ainda temos um grande desafio de infraestrutura portuária. Apesar de 7,3 mil km de costa e destinos fascinantes, hoje só 15 podem recebem navios de cruzeiro”, explica Adrian Ursili, diretor geral da MSC no Brasil.

Ferraz destaca que as cartas náuticas estão desatualizadas, algumas com mais de 60 anos. Impera a inapetência oficial, com reduzido apelo turístico dos locais e perdas de oportunidades de negócios. Por exemplo, em muitos destinos o comércio está fechado durante o tempo dos passageiros em terra.

Mudanças à vista?

A boa notícia é que isto está mudando. “Algumas cidades com potencial para receber navios já estão se planejando, depois de tomar consciência das oportunidades e o desenvolvimento econômico que os cruzeiros trazem”, revela Estela Farina. Ela é gerente geral da NCL (Norwegian Cruise Lines), uma peso-pesado com 26 navios e 6 em construção.

Clique para ler a continuação em NAVEGAÇÃO COMPLICADA 

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3 COMENTÁRIOS

  1. Fabio, boa tarde
    Primeiramente meus cumprimentos pela iniciativa em divulgar este segmento tão importante no turismo e que, deveria ser objetivo de todos os Agentes de Viagem se especializar. Estamos muito longe de ter as OTA’s concorrendo com as Agencias de Viagem na venda direta, e principalmente quando se trata de cruzeiros de categoria Premium e de Luxo.
    E mais, um bom atendimento e definição que que companhia, navio e sua proposta é mais adequado para o Cliente da Agencia resulta em fidelização baseada em satisfação total e expectativa concretizada. Eis porque a Qualitours é especialista há muitos anos neste segmento.
    Chamou-me atenção sua escolha na imagem inicial dos navios Columbus, Bremen (ambos de expedição) e o “melhor navio do mundo” – Europa 2, todos da Hapag Lloyd, e sua imagem do passado retratando passageiros a bordo da White Star … então concorrente da Cunard LIne em busca da premiação “Blue Ribbon” na travessia do Atlantico.
    Parabéns, Fábio.

    • Ilya muito obrigado!!! Saiba que eu bem que tentei incluir voce na materia pela sua importancia e pioneirismo neste segmento. Infelizmente os contatos falharam e o deadline me impediu de tentar mais tempo. De qualquer forma este espaço editorial está sempre aberto para sua opinião e ensinamentos relevantes. Um forte abraço do Fabio Steinberg

  2. Por que investir em infraestrutura para o usufruto de uma indústria que deixa alguma coisa por aqui, e leva a grande parte?
    Os turistas chegam, vão direto ao navio, fazem todas as refeições a bordo, descem por algumas horas em portos (quando descem) e compram algumas bugingangas baratas, voltam para fazer as refeições e vão embora.
    Existem locais, como Alter do Chão (Santerém-Pará), no belíssimo Rio Tapajós, de águas azuladas, onde além das companhias de navegação usufruirem das belezas locais sem pagar nada, e ainda roubam a água doce local, enchendo seus tanques.
    No meu entender, é um péssimo segmento a ser explorado pelo país.

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