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Terminadas as eleições presidenciais, mais uma vez o País corre o risco de assistir ao desgastado circo.

Ele se arma a cada troca da guarda dos responsáveis pelo turismo no Brasil.

Mesmo sem saber o nome de quem vai assumir no governo brasileiro o direcionamento do setor a partir de 2015 – e espera-se que não seja mais um daqueles políticos ou apadrinhados de algum partido a quem foi oferecido o título como prêmio de consolação – há várias questões a enfrentar para que o País apareça no radar do turismo internacional.

O Brasil patina há décadas na faixa dos 6 milhões de estrangeiros que nos visitam por ano. É um número vergonhosamente baixo, a França é 14 vezes maior, a Turquia, seis vezes, o México, quatro, e menos que o minúsculo Vietnam, que não faz muito tempo sequer recebia turistas em larga escala. Até a Torre Eiffel em Paris é visitada todo ano por quase 7 milhões de visitantes. Outro exemplo: as cataratas do Iguaçu, infinitamente mais imponentes que Niágara Falls (fronteira entre Estados Unidos e Canadá), movimentam por ano 1 milhão de pessoas, enquanto que chegam à atração norte-americana 22,5 milhões. São dados injustos diante das belezas naturais do Brasil e na contramão da hospitalidade natural da nossa população.

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 A média mundial do turismo gera o equivalente a 9% do PIB global. Enquanto isto, no Brasil este número não chega nem à metade. É uma pena, pois esta é uma indústria que globalmente produz um em cada 11 empregos, e alcança US$ 1,3 trilhão em exportações – o equivalente a 6% do total no mundo. Os dados são da Organização Mundial do Turismo. Diante de algo tão importante para a receita de qualquer país, não seria o caso de questionar se deu errado a fórmula do turismo brasileiro ter um ministério próprio como tutor, já que, na prática, tem se comportado como uma madrasta perversa em relação ao setor? Não seria melhor para todo mundo o turismo ser incorporado a uma política industrial única, coordenada por um ministério, como o da indústria e comércio?

Não é preciso ser especialista no assunto para perceber que há algo muito errado em nosso modelo turístico – ou será simplesmente a falta de algum? Por isto, é recomendável que o novo dirigente ouça primeiro quem entende, dentro e fora do País, e não tente pela enésima vez reinventar a roda. É bom fugir desta arapuca de criar programas, pois o Brasil está cansado de ver como eles terminam, como atestam os resultados pífios de gestões anteriores. É preciso reconhecer que governos são péssimos executores, pois sua vocação é planejar e criar condições para que o setor se desenvolva.

Finalmente, para o bem do turismo brasileiro, o novo titular do setor precisa administrar seu ego e fazer um pacto ético consigo mesmo. Até a hora que possa mostrar resultados mensuráveis e reais, ele deve recusar os costumeiros prêmios, honrarias e homenagens dos falsos representantes do turismo, que começam a aparecer já no dia seguinte da posse. Até porque todo mundo sabe que neste jogo infame do ”toma aqui”, sempre vem a seguir o “me dá cá”.

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