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Se um profissional do turismo acordasse após dez anos de coma profundo e decidisse visitar a 43ª. ABAV – feira de negócios que congrega os agentes de viagens – provavelmente não notaria qualquer diferença após sua prolongada ausência. É que, passada uma década, tanto o evento deste ano como as lideranças do setor parecem ter adormecido.

Em cenário da terra do faz-de-contas que parece parado no tempo, a ABAV é uma caricatura da situação geral experimentada pelo setor no momento. Não é apenas por causa do desconfortável pavilhão do Anhembi em São Paulo onde ocorre, capaz de matar o visitante de frio no inverno, e sufocar de calor nos dias mais quentes. Nem pelo deficiente sistema de transporte ao metrô e aeroportos, que consegue castigar os mais motivados participantes com até uma hora de espera em filas. Nem pela ausência de algumas empresas importantes do setor.  E o mais importante: nem mesmo pela vocação do evento “business to business”, é comum observar apelos direcionados apenas ao consumidor final.

Tampouco colabora para o sucesso da feira de 2015 os trajes e comportamentos formais demais tanto dos líderes setoriais como dos ilustres dignitários da nação na inauguração. Com seus ternos sóbrios, parecem desconectados não só do clima brasileiro, mas na contramão do ambiente descontraído que costuma prevalecer em eventos similares de outros países. Finalmente, há ainda uma sala de torturas dedicada à imprensa, que mais parece sauna, sem as mínimas condições de trabalho.

O que incomoda mais não é apenas um fator, mas a soma deles. Revela-se assim desrespeito da organização pelo empresário que investe seu dinheiro e tempo no turismo na exposição de seus produtos; pelo fornecedor submetido a péssimas condições de operação; pelo expositor internacional que toma contato (e por vezes o único) com o país para onde pretendem enviar turistas; e, claro, pelo próprio participante, nacional ou internacional.  

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 Este ano, para tristeza geral dos que amam e atuam no turismo, a cena se repetiu. Não foi por desonestidade de propósitos dos realizadores, mas sim por alguma teimosia crônica ou, quem sabe, cegueira estratégica. Mais uma vez na abertura do evento, a troca de mesuras, bajulações e liturgias extemporâneas somadas a discursos inócuos criaram um picadeiro desgarrado da realidade.

 Ao invés de discutir caminhos de como tirar proveito da crise econômica que lançou a taxa do dólar nas estratosferas, e fazer deste cenário inóspito a oportunidade para alavancar o turismo interno ou receptivo internacional, optou-se pelo velho recurso de chorar as pitangas. Ouviram-se reclamações dos players, que talvez por desilusão com os resultados, deixaram de participar. De visitantes que, cansados de serem maltratados e assistirem um evento desprovido de novidades, minguam a cada ano. Novamente houve apostas no cavalo errado, que é lutar pela sobrevivência de um ministério que historicamente se mostra inútil à causa, exceto a do próprio titular de plantão.

Estas lideranças equivocadas agem como fazendeiros que correm atrás de duas ou três galinhas fujonas enquanto o galinheiro é invadido pelas raposas. Bastaria a esta gente um tour pelas principais feiras de turismo do mundo para se convencer que o turismo brasileiro e a maioria das instituições que o representam está na contramão das tendências. Por isto tornam-se gradativamente irrelevantes.

Até as ilhas do Caribe parecem ensinar ao Brasil qual a melhor maneira de incentivar o turismo. Ministros e secretários estaduais e municipais que ninguém lembra o nome se revezam no poder ,sem relevância exceto para os que batem em seus gabinetes em busca de um maná que jamais virá dos céus.

O turismo brasileiro e todos que gostam e participam desta imensa e importante cadeia de valor econômico, inclusive o próprio viajante, não merecem isto. Está na hora de procurar novas formas de negócio e de ventilar a mente dos líderes, os antigos e os que estão por surgir. É preciso copiar e adaptar o que há de melhor no mundo e trazer com urgência para o país. A alternativa é tornar-se cúmplice ou vítima da perpetuação de um modelo que já se mostra esgotado há muito tempo.    

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